Brasil avalia criar limite por empresa para exportação de carne bovina à China
Governo estuda mecanismo de controle após chineses imporem cota anual de 1,1 milhão de toneladas e tarifa adicional de 55% para volumes que ultrapassarem o teto.
O Ministério da Agricultura está discutindo com outros órgãos do governo federal a criação de um sistema para controlar o volume de carne bovina que cada frigorífico brasileiro poderá exportar para a China. A medida surge como resposta às novas regras impostas pelo país asiático às importações do produto.
A informação foi confirmada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério, Luis Rua, que afirmou que o tema está em análise no âmbito do governo. A proposta ganhou força após a China estabelecer, em janeiro, limites para a compra de carne de alguns fornecedores, incluindo o Brasil, principal exportador para o mercado chinês.
Cota anual e tarifa adicional preocupam setor
Para 2026, a China definiu uma cota de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina brasileira. Até esse volume, permanece a tarifa de importação de 12%. Caso as exportações ultrapassem esse limite, incidirá uma taxa adicional de 55% sobre o excedente.
Segundo o Ministério da Agricultura, há preocupação de que a nova regra provoque uma disputa intensa entre frigoríficos para garantir espaço dentro da cota, gerando desequilíbrio competitivo entre as empresas do setor.
Proposta foi encaminhada à Camex
A criação de um mecanismo de controle foi formalmente sugerida por meio de ofício enviado à secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior. O objetivo é estabelecer critérios que organizem o fluxo de exportações e evitem distorções no mercado interno.
O governo brasileiro também solicitou à China que eventuais volumes não utilizados por outros países sejam redistribuídos entre aqueles que ultrapassarem o limite estabelecido. Até o momento, não houve resposta oficial das autoridades chinesas.
Negociações ainda estão em aberto
De acordo com o secretário Luis Rua, o tema ainda não está definido. Ele destacou que a própria China pode optar por observar inicialmente como o sistema de cotas funcionará na prática antes de realizar ajustes.
Entre os fatores que podem influenciar a decisão chinesa estão os impactos sobre preços e oferta global, além do comportamento de outros países exportadores diante das novas regras comerciais.