Seca histórica derruba volume do Cantareira e coloca abastecimento de São Paulo em risco em 2026

Análise do Cemaden mostra cenários de chuva prováveis para SP e indica que, mesmo no volume mais otimista, a região ainda teria que passar por restrições no abastecimento.

Por Pedro Neto
Reservatório de água

O abastecimento de água na cidade de São Paulo pode enfrentar dificuldades em 2026. É o que aponta uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que avaliou projeções de chuva e o impacto sobre o Sistema Cantareira, principal reservatório que abastece a região metropolitana.

A pesquisa do órgão do Ministério da Ciência considera diferentes cenários, desde um período de chuvas abaixo da média até um quadro mais favorável. Em todos os casos, os especialistas indicam que o volume de água armazenado deve permanecer em níveis preocupantes ao longo do próximo ano.

Segundo o Cemaden, mesmo no cenário mais otimista, em que chove mais do que a média histórica, o Cantareira não recuperaria o volume suficiente para garantir segurança hídrica sem algum tipo de restrição temporária no abastecimento.

A situação é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a estiagem prolongada, redução na reposição natural dos mananciais e aumento da demanda urbana. Técnicos alertam que, se as chuvas permanecerem irregulares, o risco de colapso no sistema aumenta significativamente.

Além disso, o relatório destaca que a seca registrada ao longo de 2024 e 2025 já é considerada uma das mais severas das últimas décadas. Em janeiro deste ano, o Cantareira atingiu volumes próximos ao nível operacional de alerta e entrou em estado crítico em diversos momentos.

Diante do cenário, especialistas reforçam a necessidade de planejamento por parte do governo estadual e das empresas de saneamento, com medidas de gestão de consumo, campanhas de conscientização e investimentos em infraestrutura para captação e armazenamento.

O estudo completo do Cemaden deve servir de base para ações preventivas e está sendo encaminhado a autoridades municipais, estaduais e federais para avaliação dos riscos e definição de estratégias antes da chegada do período seco de 2026.