Banco do Brasil enfrenta calote bilionário e inadimplência dispara no fim de 2025

Caso isolado de empresa do setor atacadista gerou impacto direto nos indicadores do banco, elevando a taxa de atrasos acima de 90 dias e pressionando o resultado anual.

Por Pedro Neto
Um homem passa por uma agência do Banco do Brasil na avenida Berrini, na zona sul de São Paulo

O Banco do Brasil informou, na divulgação de seu balanço financeiro, que registrou um calote de R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2025. O valor está relacionado a uma única empresa do segmento atacadista e teve impacto relevante nos indicadores de crédito da instituição.

Com o efeito da inadimplência, o índice de atrasos superiores a 90 dias subiu para 5,17% no período. No trimestre anterior, a taxa estava em 4,51%, enquanto, no mesmo intervalo de 2024, era de 3,16%. De acordo com o banco, se desconsiderado o impacto específico desse caso, o indicador ficaria em 4,88%.

Impacto na carteira e reação do mercado

No relatório financeiro, o Banco do Brasil explicou que a alta da inadimplência reflete um evento pontual na carteira de Títulos e Valores Mobiliários vinculado a uma companhia do setor atacadista, sem detalhar o nome da empresa envolvida.

Os números foram apresentados após o fechamento dos mercados. No pregão seguinte, por volta das 16h, as ações do banco registravam alta de 2,77%, indicando reação positiva dos investidores mesmo diante do episódio.

Lucro anual cai mais de 45% em 2025

No acumulado de 2025, o Banco do Brasil apurou lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, dentro da faixa revisada projetada pela própria instituição, entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões. Ainda assim, o resultado representa uma retração de 45,4% em comparação com 2024.

Ao longo do ano, a instituição revisou sucessivamente suas projeções. A estimativa inicial indicava lucro entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões, mas foi suspensa em maio. Em agosto, a previsão foi ajustada para um intervalo entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões, sofrendo novo corte em novembro.

Segundo a presidente-executiva do banco, Tarciana Medeiros, 2025 foi marcado por ajustes internos. O desempenho foi impactado pelo aumento da inadimplência em parte da carteira do agronegócio e pela adoção de novas normas contábeis implementadas no período.

Desempenho no quarto trimestre supera expectativas

Considerando apenas o quarto trimestre de 2025, o lucro líquido ajustado alcançou R$ 5,7 bilhões. O valor representa queda de 40,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, mas crescimento de 51,7% frente ao terceiro trimestre.

O resultado superou as projeções do mercado financeiro. Estimativas compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$ 4,5 bilhões para o período, abaixo do número efetivamente divulgado pelo banco.