Inflação sobe 0,33% em dezembro e fecha 2025 dentro da meta

Índice acumulado no ano fica abaixo do teto de 4,5%; alta de passagens aéreas impulsionou resultado mensal, enquanto grupo Habitação registrou queda

Por Pedro Neto
Supermercado atacadista em São Paulo

A inflação oficial do Brasil, calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou o ano de 2025 com alta acumulada de 4,26%, segundo dados divulgados na manhã desta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado anual permaneceu abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), fixado em 4,5%.

Em dezembro, o IPCA registrou avanço de 0,33%, uma aceleração de 0,15 ponto percentual em relação ao índice de novembro (0,18%). Apesar da alta, o ritmo foi inferior ao observado no mesmo período de 2024, quando a inflação mensal havia sido de 0,52%.

De acordo com o IBGE, o dado acumulado de 2025 revela desaceleração frente a 2024, ano em que a inflação havia encerrado em 4,83%.

Transportes impulsionam a inflação no fim do ano

Entre os nove grupos de produtos e serviços monitorados pelo IBGE, o destaque de alta em dezembro foi o grupo Transportes, que avançou 0,74% e foi responsável pelo maior impacto individual no índice do mês (0,15 ponto percentual).

O movimento foi influenciado principalmente pelas passagens aéreas, que tiveram aumento de 12,61%, e pelo transporte por aplicativo, que subiu 13,79%.

Em sentido oposto, o grupo Habitação registrou queda de 0,33% em dezembro, sendo o único entre os nove grupos a apresentar retração. O recuo foi associado principalmente à redução nas tarifas de energia elétrica.

Comportamento dos preços no acumulado do ano

No resultado de 2025 como um todo, os grupos apresentaram dinâmicas distintas. Alimentação e bebidas, que possui grande peso no orçamento doméstico, encerrou o ano com alta de 2,95%, bem abaixo dos 7,69% registrados em 2024. A alimentação no domicílio teve contribuição decisiva para essa desaceleração, variando apenas 1,43% no acumulado do ano.

Já o grupo Habitação, apesar da queda pontual em dezembro, se destacou negativamente no fechamento de 2025, acumulando alta de 6,79% — ritmo superior aos 3,06% do ano anterior. Outros grupos que pressionaram o IPCA em 2025 foram Educação (6,22%) e Despesas Pessoais (5,87%).