Rússia critica envio de forças da Otan à Groenlândia e alerta para militarização do Ártico
Moscou acusa aliança ocidental de ampliar presença bélica no extremo norte após países anunciarem reforços militares na Groenlândia
A Rússia manifestou forte preocupação com o aumento da presença militar da Otan no Ártico, após países da aliança anunciarem o envio de tropas e equipamentos para a Groenlândia. A movimentação foi oficializada na quarta-feira (14), em meio a discussões sobre a segurança do território diante de recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, que sugeriu uma anexação da ilha.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da Rússia, o reforço militar representa uma “militarização acelerada” da região, tendo como objetivo conter a influência russa e chinesa no extremo norte. Moscou também afirmou que a estratégia se insere em uma agenda ocidental considerada antirrussa.
O anúncio ocorre após Dinamarca e Groenlândia confirmarem que irão ampliar a presença de soldados e infraestrutura militar tanto na ilha quanto em áreas do Ártico, em coordenação com outros países da Otan. Segundo autoridades locais, os primeiros militares dinamarqueses já desembarcaram na Groenlândia nesta quinta-feira.
Membros da Otan explicam que o movimento está ligado ao aumento das tensões com os Estados Unidos, porém a Alemanha declarou que uma missão prevista para os próximos dias buscará “avaliar opções para garantir a segurança perante ameaças russas e chinesas no Ártico”.
A estratégia tem dupla função: evitar uma eventual ação unilateral dos EUA contra a ilha e, simultaneamente, sinalizar a vontade dos aliados de proteger a região, reconhecendo as preocupações apresentadas por Trump.
Moscou, por sua vez, sustenta que o bloco ocidental adota uma postura agressiva no Ártico, ao mesmo tempo em que ignora iniciativas de diálogo. Apesar das críticas russas, a Otan já mantém presença regular na região, com exercícios militares frequentes entre os países que compõem a aliança.