Moraes barra visita de Valdemar a Bolsonaro, mas amplia visitas e libera atividades
Ministro do STF mantém restrições a investigados no mesmo processo, porém autoriza mudanças no regime de visitas, apoio religioso e caminhadas supervisionadas
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (29) o pedido para que o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, pudesse visitar Jair Bolsonaro. A decisão considera que ambos são investigados no mesmo inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado.
Segundo Moraes, a vedação ao contato entre investigados em processos relacionados é uma medida necessária para preservar a integridade das apurações em andamento. O entendimento do ministro é de que a aproximação poderia gerar riscos à instrução do caso.
Além de Valdemar, o senador Magno Malta também teve o pedido de visita indeferido. De acordo com a decisão, informações da Polícia Militar indicam que o parlamentar tentou, em ocasião anterior, acessar a unidade sem autorização formal, utilizando prerrogativas do mandato, o que teria causado preocupação com a segurança do local.
Apesar das negativas, Moraes autorizou ajustes no regime de visitas concedido ao ex-presidente. Atendendo a solicitações da defesa e da Polícia Militar, os encontros foram remanejados para os sábados, com possibilidade adicional às quartas-feiras, a fim de evitar interferências na rotina administrativa do batalhão durante os dias úteis.
A decisão também permite que até duas pessoas visitem Bolsonaro simultaneamente, flexibilizando a regra anterior que limitava o acesso a apenas um visitante por vez.
Suporte religioso autorizado
O ministro ainda ampliou a assistência religiosa prestada ao ex-presidente. Foi autorizada a inclusão do padre Paulo M. Silva na lista de religiosos aptos a realizar visitas, que ocorrerão de forma alternada com os líderes evangélicos já cadastrados, como o bispo Robson Rodovalho e o pastor Thiago Manzon.
A medida busca assegurar o acompanhamento espiritual plural, respeitando a liberdade religiosa, sem comprometer as normas de segurança da unidade.
Por fim, Moraes autorizou que Bolsonaro realize caminhadas supervisionadas nas dependências da unidade, como no campo de futebol ou na pista interna, sempre sob escolta. A liberação tem como objetivo preservar a saúde física do ex-presidente, conforme recomendação médica apresentada à Corte.