André Mendonça assume caso Master sob expectativa política e histórico de embates no STF
Indicado por Jair Bolsonaro, ministro já divergiu de Alexandre de Moraes e pode influenciar o clima institucional em ano eleitoral.
A reunião com policiais federais que atuam nas investigações envolvendo o Banco Master, marcada para esta sexta-feira 13, será o primeiro indicativo de como André Mendonça pretende conduzir um dos processos mais sensíveis atualmente em tramitação no Supremo Tribunal Federal.
A convocação partiu do próprio ministro poucas horas após ele ser definido como novo relator do caso por sorteio interno. A movimentação foi interpretada como sinal de que Mendonça pretende assumir protagonismo imediato na condução das apurações.
Expectativa no Congresso e impacto político
Nos bastidores do Congresso Nacional, a mudança de relatoria é acompanhada com atenção. O avanço das investigações pode alcançar figuras políticas e autoridades, o que amplia a relevância do posicionamento do novo relator em um ano marcado por disputas eleitorais.
Analistas avaliam que o estilo de condução adotado por Mendonça pode influenciar o ambiente institucional e a dinâmica entre os Poderes nos próximos meses.
Perfil independente dentro do Supremo
Desde que tomou posse no STF, André Mendonça nunca foi considerado integrante do núcleo mais influente da Corte. Indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro sob o rótulo de terrivelmente evangélico, construiu trajetória marcada por posições próprias e, em alguns momentos, isoladas.
O ministro não integra o grupo de maior protagonismo em decisões recentes, frequentemente associado a nomes como Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino. Nos últimos tempos, aproximou-se de Luiz Fux e mantém diálogo institucional com Edson Fachin e Cármen Lúcia.
Voto isolado em processo envolvendo Moraes
No início de 2025, Mendonça foi o único integrante do Supremo a votar pelo impedimento de Alexandre de Moraes em julgamento que, meses depois, culminaria na condenação de Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado. O placar terminou em 9 a 1.
O episódio é lembrado por interlocutores como momento de forte pressão interna sobre o ministro. A divergência pública reforçou a percepção de que Mendonça mantém posicionamento independente em relação às decisões mais duras adotadas pelo tribunal em processos de grande repercussão política.
Agora, à frente do caso Master, o ministro terá a responsabilidade de conduzir uma investigação com potencial de gerar novos desdobramentos institucionais e políticos.