Petróleo dispara perto de US$ 120 e bolsas globais caem com temor de guerra prolongada

Conflito no Oriente Médio pressiona mercados, derruba bolsas na Ásia e na Europa e eleva preços de energia no mundo.

Por Pedro Neto
Fumaça sobe após ataque à refinaria de petróleo da Bapco em Sitra, no Bahrein

Os mercados financeiros globais registraram forte turbulência nesta segunda-feira 9. Bolsas de valores caíram de forma expressiva enquanto os preços do petróleo dispararam, chegando a avançar até 30% e se aproximando da marca de US$ 120 por barril.

A instabilidade ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, que entrou na segunda semana sem sinais concretos de cessar-fogo. Investidores temem que a escalada militar provoque impactos relevantes na economia global, especialmente no setor de energia.

Quedas expressivas nas bolsas asiáticas

Os mercados da Ásia ampliaram as perdas registradas na semana anterior. A bolsa de Seul, que vinha apresentando desempenho positivo impulsionado por empresas de tecnologia, fechou o pregão com queda de 5,96%.

Em Tóquio, o principal índice recuou 5,2%. Outras praças financeiras da região também encerraram o dia no vermelho, incluindo Hong Kong, Xangai, Taipei, Sydney, Singapura, Manila e Wellington.

Europa também opera em forte baixa

Na Europa, os principais mercados seguiram a mesma tendência negativa. A bolsa de Paris registrava queda de 2,59%, enquanto Frankfurt recuava 2,47%. Em Londres, o índice perdia 1,57%, Madri caía 2,87% e Milão apresentava baixa de 2,71%.

Nos Estados Unidos, os três principais índices de Wall Street já haviam acumulado perdas superiores a 2% na semana anterior. Em momentos de incerteza, investidores tendem a buscar ativos considerados mais seguros, como o dólar, que voltou a se valorizar.

Petróleo e gás natural disparam

O petróleo Brent do Mar do Norte, referência global, registrava alta de mais de 12%, sendo negociado a US$ 103,85 por barril após ter ultrapassado momentaneamente a marca de US$ 119.

O gás natural também registrava forte valorização na Europa. Os contratos futuros do índice TTF holandês, usado como referência regional, avançavam cerca de 30%, chegando a 69,50 euros por megawatt-hora.

Conflito afeta produção de energia

Nos últimos dias, ataques atingiram campos de petróleo no sul do Iraque e na região autônoma curda, provocando redução na produção. Emirados Árabes Unidos e Kuwait também reduziram o volume extraído após ataques atribuídos ao Irã contra seus territórios.

Diante da escalada dos preços, países do G7 avaliam recorrer de forma coordenada às reservas estratégicas de petróleo. A possibilidade deverá ser discutida em videoconferência entre ministros das Finanças das principais economias.

A Agência Internacional de Energia exige que seus países membros mantenham reservas equivalentes a cerca de 90 dias de importações de petróleo, mecanismo considerado essencial para enfrentar períodos de crise no fornecimento global.